Parceira: Sra Maria Christina crismsoliveira@gmail.com

Um resumo histórico da ocupação de alguns logradouros e bairros do Rio de Janeiro

Avenida Niemayer, Vidigal, Rio de Janeiro/RJ 1891

Começou a ser aberta a via que serviria a uma linha de bonde que iria até Angra dos Reis.
O projeto foi a pique, mas marcou o início da abertura da Avenida Niemeyer.

1911 Falência da companhia responsável pelas obras do bonde; o inglês Charles Armstrong instalou o Colégio Anglo-Brasileiro.

1916 Inicio real, pois o Charles Armstrong bancou o prolongamento da via, sendo batizada em homenagem ao comerciante Jacob de Niemeyer. Depois de comprar terras em São Conrado, ele decidiu doar um terreno à prefeitura, que em contrapartida abriria a via.

1930~Anos de glória da Niemeyer , com a criação do Circuito da Gávea. Uma das curvas do circuito, a do Mirante do Leblon, foi apelidada, de ''curva do arrependimento''. Explica-se: era no Joá que ficava uma das primeiras casas de tolerância (uma espécie de motel) e, caso mudasse de idéia, o motorista teria que retornar na altura do mirante. Caso contrário, não haveria outra opção.
O Vidigal tem sua origem marcada pela atuação de um policial. Os primeiros registros da área são de 1822,
quando as terras no local passaram às mãos do então intendente de polícia Miguel Nunes Vidigal, que deu nome
à região. De linha dura, ele foi o homem mais importante da Polícia Militar durante 10 anos.

1935 Numa casa (ainda existente), na única ladeira (fora o Vidigal) da Avenida Niemayer, Sr. Plinio Salgado (integralista) esconde-se da repressão do Governo Vargas.

1940~Uma comunidade de pescadores que ficava nos arredores da Praia do Vidigal morava na área. A ocupação em
massa começa mesmo com a expansão da construção civil na Zona Sul, nos anos 60 e 70.

1960~ Projeto de uma boate, restando sómente a lage, ainda existente atualmente chamada de “ Chapéu dos
Pescadores”
Arredores:
--Gruta da Imprensa: acesso em frente ao número 550 da Avenida Niemayer.

Glória e Catete, Rio de Janeiro/RJ

Os dois bairros têm importância histórica para o Rio. A Glória marcou a época do Brasil Colônia - com a presença de dom João nos cultos em homenagem à Nossa Senhora da Glória e os banhos de dom Pedro I, completamente nu, na praia onde hoje é o Largo do Russel.

Mesmo antes da chega da Família Real, o bairro já presenciava fatos importantes desde o século 16. Em abril de 1567, Estácio de Sá atacou uma fortificação francesa no Morro do Levy para resgatar um amigo seqüestrado. Com cinco canoas, ele derrotou os índios tamoios, aliados aos franceses, com 180 embarcações.

No século 20, a Glória recebeu obras de Pereira Passos, que abriu a Avenida Beira-Mar e o Jardim da Glória. Na década de 50, Ernesto Che Guevara, morou no bairro por alguns meses.

Já o Catete brilhou nos tempos da República. O palacete construído para o Barão de Nova Friburgo foi sede da Presidência de 1897 a abril de 1960. Em 1954, foi lá que o então presidente Getúlio Vargas se matou.

Jardim Botânico, Rio de Janeiro/RJ

Ele nasceu no entorno de uma fábrica de pólvora, abrigou chineses que por lá fumaram ópio e, graças ao insucesso de uma plantação de chá, tornou-se uma das mais belas áreas verdes da Zona Sul.

Fundado em 1808 por dom João VI, o Jardim Botânico tem sua história diretamente ligada à chegada da Família Real no Rio de Janeiro, fugida das tropas de Napoleão Bonaparte. O jardim começou a nascer depois da construção da Fábrica de Pólvora por dom João VI, no local onde funcionava o engenho da família Rodrigo de Freitas. Nos arredores da fábrica, ele plantou um jardim para aclimatar as especiarias vindas do Oriente, pelo que viria a chamar-se Real Horto e, depois, Jardim Botânico.

O historiador Milton Teixeira, porém, contesta a data de fundação do parque. Segundo ele, em 1809 o engenho ainda funcionava e, numa visita de dom João, os escravos chegaram a abaixar as calças ao monarca. Apesar de informações de que o próprio dom João plantou, em 1809, uma palmeira - presente de Luiz de Abreu Vieira e Silva, que saqueou um jardim nas Ilhas Maurício - Teixeira afirma que até 1810 nada havia sido plantado no local. Segundo o historiador, dom João queria assumir o monopólio do chá, já que a Inglaterra estava impedida de exportar. Em 1811, chegaram 300 chineses ao Rio para trabalhar nos terrenos, mas a plantação não deu certo.

As portas do Jardim Botânico só foram abertas ao público nos anos 20 do século 19. Desde então, recebeu visitantes ilustres, como Albert Einstein, a rainha Elizabeth da Inglaterra e o imperador japonês Akihito.

Obras humanas foram preservadas no interior do parque. Mesmo após a explosão de 1831, sobraram da fábrica de pólvora ruínas do muro e o portal com o brasão da Coroa portuguesa. Outra construção centenária é o Centro de Visitantes, que funciona na sede do antigo engenho. O prédio, construído em 1576, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1937, 17 anos depois que o parque teve sua área reduzida. Antes, o Jardim Botânico ia até as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, mas parte dele foi desapropriada em 1920 para a construção do Jóquei.

Morro da Conceição, Praça Mauá, Rio de Janeiro/RJ

Área nobre nos séculos 17 e 18, o Morro da Conceição teve sua ocupação ligada a ordens religiosas e militares. Lá foram erguidos o Palácio Episcopal, residência do terceiro bispo do Rio, frei dom Francisco de São Jerônimo, a partir de 1703 e, em 1711, após as invasões francesas no Rio, a Fortaleza da Conceição. A construção - que viria a servir futuramente como prisão de inconfidentes - revela tinha os canhões voltados para a residência do bispo.

A Igreja de São Francisco da Prainha foi doada por Francisco da Motta para a Ordem Terceira, no tempo do Brasil Colônia, sob a condição de que rezassem 300 missas por ano por sua alma.

O Morro da Conceição começou a ser tomado por casas mais populares no século 19, em conseqüência do Cais do Porto. Além do casario antigo, a região guarda preciosidades como o Jardim do Valongo e a Igreja de Santa Rita de Cássia, de 1751, por onde passavam todos os condenados à morte a caminho da forca.

Nos anos 20, a nata do samba carioca migrou para a região - mais precisamente para a Pedra do Sal, depois que destruíram a antiga Praça 11 para a abertura da Avenida Presidente Vargas. O local virou ponto de encontro de bambas como Pixinguinha, João da Baiana e Donga.

OBS: O Morro da Conceição fica ao lado da Praça Mauá e é, segundo me disseram, um oásis de Rio Antigo em meio à agitação do centro da cidade.. Esconde tesouros que poucos cariocas conhecem: a fortaleza da Conceição, concluída em 1718, o antigo Palácio Episcopal, que hoje abriga o Serviço Geográfico do Exército e o Observatório do Valongo. Na época colonial, a ocupação urbana do Rio de Janeiro começou nas áreas mais elevadas, que ofereciam proteção contra ataques de corsários e estrangeiros: Morro do Castelo, Morro de Santo Antônio, Morro de São Bento e Morro da Conceição.
O Morro da Conceição também abriga uma série de ateliês de artistas plásticos (Dallier, Marcelo Frazão, Cláudio Aun, Renato Santana e outros), na Ladeira João Homem e Rua do Jogo da Bola, constituindo o Projeto Mauá.