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Os dois bairros têm importância histórica para o Rio. A Glória marcou a época do Brasil Colônia - com a presença de dom João nos cultos em homenagem à Nossa Senhora da Glória e os banhos de dom Pedro I, completamente nu, na praia onde hoje é o Largo do Russel. Mesmo antes da chega da Família Real, o bairro já presenciava fatos importantes desde o século 16. Em abril de 1567, Estácio de Sá atacou uma fortificação francesa no Morro do Levy para resgatar um amigo seqüestrado. Com cinco canoas, ele derrotou os índios tamoios, aliados aos franceses, com 180 embarcações. No século 20, a Glória recebeu obras de Pereira Passos, que abriu a Avenida Beira-Mar e o Jardim da Glória. Na década de 50, Ernesto Che Guevara, morou no bairro por alguns meses. Já o Catete brilhou nos tempos da República. O palacete construído para o Barão de Nova Friburgo foi sede da Presidência de 1897 a abril de 1960. Em 1954, foi lá que o então presidente Getúlio Vargas se matou.
Jardim Botânico, Rio de Janeiro/RJEle nasceu no entorno de uma fábrica de pólvora, abrigou chineses que por lá fumaram ópio e, graças ao insucesso de uma plantação de chá, tornou-se uma das mais belas áreas verdes da Zona Sul. Fundado em 1808 por dom João VI, o Jardim Botânico tem sua história diretamente ligada à chegada da Família Real no Rio de Janeiro, fugida das tropas de Napoleão Bonaparte. O jardim começou a nascer depois da construção da Fábrica de Pólvora por dom João VI, no local onde funcionava o engenho da família Rodrigo de Freitas. Nos arredores da fábrica, ele plantou um jardim para aclimatar as especiarias vindas do Oriente, pelo que viria a chamar-se Real Horto e, depois, Jardim Botânico. O historiador Milton Teixeira, porém, contesta a data de fundação do parque. Segundo ele, em 1809 o engenho ainda funcionava e, numa visita de dom João, os escravos chegaram a abaixar as calças ao monarca. Apesar de informações de que o próprio dom João plantou, em 1809, uma palmeira - presente de Luiz de Abreu Vieira e Silva, que saqueou um jardim nas Ilhas Maurício - Teixeira afirma que até 1810 nada havia sido plantado no local. Segundo o historiador, dom João queria assumir o monopólio do chá, já que a Inglaterra estava impedida de exportar. Em 1811, chegaram 300 chineses ao Rio para trabalhar nos terrenos, mas a plantação não deu certo. As portas do Jardim Botânico só foram abertas ao público nos anos 20 do século 19. Desde então, recebeu visitantes ilustres, como Albert Einstein, a rainha Elizabeth da Inglaterra e o imperador japonês Akihito. Obras humanas foram preservadas no interior do parque. Mesmo após a explosão de 1831, sobraram da fábrica de pólvora ruínas do muro e o portal com o brasão da Coroa portuguesa. Outra construção centenária é o Centro de Visitantes, que funciona na sede do antigo engenho. O prédio, construído em 1576, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1937, 17 anos depois que o parque teve sua área reduzida. Antes, o Jardim Botânico ia até as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, mas parte dele foi desapropriada em 1920 para a construção do Jóquei.
Morro da Conceição, Praça Mauá, Rio de Janeiro/RJÁrea nobre nos séculos 17 e 18, o Morro da Conceição teve sua ocupação ligada a ordens religiosas e militares. Lá foram erguidos o Palácio Episcopal, residência do terceiro bispo do Rio, frei dom Francisco de São Jerônimo, a partir de 1703 e, em 1711, após as invasões francesas no Rio, a Fortaleza da Conceição. A construção - que viria a servir futuramente como prisão de inconfidentes - revela tinha os canhões voltados para a residência do bispo. A Igreja de São Francisco da Prainha foi doada por Francisco da Motta para a Ordem Terceira, no tempo do Brasil Colônia, sob a condição de que rezassem 300 missas por ano por sua alma. O Morro da Conceição começou a ser tomado por casas mais populares no século 19, em conseqüência do Cais do Porto. Além do casario antigo, a região guarda preciosidades como o Jardim do Valongo e a Igreja de Santa Rita de Cássia, de 1751, por onde passavam todos os condenados à morte a caminho da forca. Nos anos 20, a nata do samba carioca migrou para a região - mais precisamente para a Pedra do Sal, depois que destruíram a antiga Praça 11 para a abertura da Avenida Presidente Vargas. O local virou ponto de encontro de bambas como Pixinguinha, João da Baiana e Donga. OBS: O Morro da Conceição fica ao lado da Praça
Mauá e é, segundo me disseram, um oásis de Rio Antigo
em meio à agitação do centro da cidade.. Esconde
tesouros que poucos cariocas conhecem: a fortaleza da Conceição,
concluída em 1718, o antigo Palácio Episcopal, que hoje
abriga o Serviço Geográfico do Exército e o Observatório
do Valongo. Na época colonial, a ocupação urbana
do Rio de Janeiro começou nas áreas mais elevadas, que
ofereciam proteção contra ataques de corsários e
estrangeiros: Morro do Castelo, Morro de Santo Antônio, Morro de
São Bento e Morro da Conceição.
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